Clube do Vinil

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É triste chegar a um ponto do desenvolvimento cultural em que claves de sol são confundidas com cifrões.

O Clube do Vinil em Campinas começou como um oásis na cena musical de Campinas, e foi além. Com a iniciativa de disponibilizar a um público mais amplo sua coleção de mais de 10.000 bolachões, Charles (como é conhecido o renomado produtor musical Carlos Leitão) criou um núcleo de atração artística e cultural que ultrapassou os limites da música.

A rotação dos discos criou em sua órbita um ambiente propício à vida cultural. As trocas de informações entre diferentes formas de produção intelectual e artísticas por várias vezes fez germinar novos projetos: músicos formaram bandas, fotógrafos e autores literários desenvolveram projetos conjuntos, pintores discutiram políticas culturais com cientistas sociais, apenas para citar alguns exemplos de vários outros entre a diversas combinações que formaram um ambiente de interação propício ao desenvolvimento do pensamento livre.

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Com a criação dessa rica atmosfera artística, o Clube do Vinil começou a dar vôos mais altos. Além da audição dos discos o lugar começou a abrigar exposições e a dar oportunidade para músicos que careciam de espaço para apresentar seus trabalhos, a última iniciativa acolheu professores e alunos de música da Unicamp que nas últimas semanas tomavam conta das noites de terça.

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Infelizmente, como tudo o que existe no nosso modelo de sociedade, mesmo essa liberdade acabou aprisionada por uma ambição puramente financeira, a qual está colocando de novo em risco a existência desse espaço. Nós que sabemos o valor da arte e da cultura no enriquecimento daquilo que temos de mais humano não podemos nos calar ao ver novamente as notas musicais silenciarem em função das notas de dinheiro, estaremos sempre na resistência a tudo aquilo que amesquinha o Ser Humano. Força, Charles!

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